Para preparar o colóquio estão disponíveis dois textos-base sobre os quais pode enviar os seus comentários e questões/dúvidas.
Aqui vai o texto I.
Agostinho Botelho
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“A Luta de Darwin – Católicos, prestem atenção”[1]
John Haught
“Nunca Charles Darwin foi tão popular como hoje em dia (…) a sua teoria de selecção natural é incontestavelmente aceite como a explicação correcta para a diversidade da vida na Terra”. No entanto, grande parte do mundo religioso ainda se debate com Darwin. Em Agosto de 1999, por exemplo, o Painel Educativo do Kansas (Kansas Board of Education), submetendo-se a pressões de “Cristãos Criacionistas”, decidiu que o tópico da Evolução (tal como referências ao Big Bang) não deveria ser incluído nos exames estatais de avaliação dos conhecimentos científicos dos alunos. Lamentando essa decisão, o conhecido paleontólogo de Harvard, Stephen Jay Gould comentou na revista Time que a remoção da Evolução dos currículos de Biologia assemelha-se a ensinar química sem a Tabela Periódica, ou a história Americana sem mencionar Lincoln (presidente dos EUA durante a guerra civil americana). Tanto a decisão do Estado do Kansas como a afirmação de Gould servem de base para alguns comentários relativos à questão da Evolução e Religião.
Para um grande número de Cristãos Americanos (mais de 40%), a visão de Darwin acerca da natureza ainda parece ser irreconciliável com as suas crenças mais profundas. Mesmo para além do desafio óbvio que a ciência evolutiva coloca à visão literal da Bíblia, não é muito difícil de perceber porquê. Antes de mais, porque as variantes que constituem a matéria prima para a evolução são consideradas completamente acidentais e não o resultado de uma inteligência divina. Depois, a “luta” competitiva pela qual os organismos mais fracos são rudemente eliminados revela um universo aparentemente sem a presença de compaixão divina. E a indiferença apresentada pela selecção natural sugere que vivemos num universo sem remorsos nem afecto, que dificilmente retrata o colo carinhoso de uma divindade providente. Se a isto tudo adicionarmos a ideia de que a vida e a mente surgiram de matéria irracional, sem grandes descontinuidades ao durante um período de milhares de milhões de anos, obteremos uma visão do universo completamente diferente da que é afirmada pelas nossas religiões tradicionais.
Como resultado de um contacto contínuo com as suas próprias descobertas, Darwin chegou a confessar que a descrença “apoderou-se” gradualmente dele próprio. E para muitos neo-darwinistas essa “descrença” parece ser uma implicação lógica da sua ciência. Nas palavras de David Hull, o processo evolutivo está cheio de “acasos, contingências, desperdícios, morte, dor e horror”. Um deus que crie ou que tome conta de um mundo Darwiniano tem de ser “descuidado, indiferente, quase diabólico”. Isto não é, diz Hull, “o tipo de Deus a quem qualquer pessoa rezaria”.
Na falta de uma teologia da evolução convincente, não só o estado biblicista do Kansas, mas também o mundo do pensamento religioso em geral tem tido dificuldade em lidar com Darwin. Ainda que a maioria dos teólogos não-criacionistas reconheçam o papel da evolução, e o próprio Papa tenha reconhecido a sua probabilidade, aqueles que assumiram a ciência de Darwin em profundidade são, parece-me, relativamente poucos. Mesmo fora dos círculos do fundamentalismo protestante, a antipatia em relação a Darwin parece estar a ganhar vigor em alguns meios religiosos. O jornal First Things é frequentemente palco de comentários anti-Darwinistas. Um editorial recente do Homiletic and Pastoral Review designou a ciência de Darwin como “um conto de fadas para adultos”. E o bioquímico católico Michael Behe conseguiu uma grande popularidade entre religiosos conservadores ao propor o “Intelligent design” como uma refutação científica do trabalho de Darwin.
Entretanto, mesmo os teólogos cristãos que são moderados e liberais evitam geralmente uma discussão profunda da evolução Darwiniana. Muitos condescenderão que “a evolução é a forma de Deus criar”, mas até o compromisso com esta afirmação requer que se excluam as características mais repelentes da visão perturbadora de Darwin acerca da vida. Grande parte da teologia contemporânea ainda não reconhece o óbvio: Darwin alterou completamente a forma de encarar Deus, até de acreditar em Deus.
No entanto, não só a reflexão teológica mas também a maioria do mundo intelectual ficou aquém de Darwin. Tal como nos relembrava o filósofo judeu Hans Jonas, a filosofia mantém-se cravada num materialismo completamente inadequado face à opulência da Evolução. Além do mais, convém referir que os materialistas evolutivos “iluminados” não são menos literalistas na interpretação da Bíblia do que a maioria dos membros do Painel Educativo do Kansas. Por exemplo, o filósofo Daniel Dennett, que já foi considerado como: “o nosso melhor filósofo actual”, declarou arrojadamente o seu apoio aos criacionistas, quando afirmam que a grande ideia de Darwin é incompatível com a Bíblia. “ A Ciência ganhou e a Religião perdeu” anuncia Dennett. “As ideias de Darwin afastaram o Livro do Genésis para o âmbito da mitologia retrógrada”.
De igual forma, o biólogo de Harvard E.O. Wilson expressa o seu espanto relativamente a que alguém procure reconciliar a Bíblia com a biologia. Tal como os criacionistas do Kansas ele coloca a ciência de Darwin em competição com o Génesis, que considera um trabalho que o desilude por não conseguir fornecer informação relevante acerca do mundo natural. Segundo Wilson, certamente que se as Escrituras fossem verdadeiras, elas não nos forneceriam uma visão tão incorrecta da natureza. O facto de não considerarem a evolução, “os autores bíblicos esqueceram-se da revelação mais importante de todas!”. Ainda que Dennett e Wilson possam diferir dos criacionistas ao declararem Darwin certo e a Bíblia errada, eles estão igualmente desfasados no tempo ao esperarem que esses textos antigos reflictam alguma ciência fidedigna.
Porém recentemente, um dos evolucionistas americanos mais conhecidos, Stephen Jay Gould, tem procurado fortemente distanciar-se daqueles neo-Darwinistas que são declaradamente ateus. Afirmando-se como agnóstico, Gould parece ter despertado para o facto de que, numa cultura que acredita em Deus, a educação científica dificilmente beneficia de uma ligação inevitável entre o trabalho de Darwin e a morte de Deus, tal como Dennet e o conhecido zoólogo Richard Dawkins fazem crer existir. Dennet e Dawkins gostam claramente de anunciar o ateísmo que eles afirmam estar subjacente à revolução de Darwin, enquanto que Gould considera esses argumentos usados e sem sentido.
No seu comentário na revista Time, Gould volta a insistir que não pode existir nenhum conflito entre fé e evolução. A ciência e a religião, afirma, referem-se a assuntos completamente díspares. Deveriam ser “parceiros iguais e mutuamente respeitadores, cada qual mestre do seu domínio, e sendo cada domínio essencial para a vida humana de formas diferentes”.
Deve dar-se crédito a Gould pela sua tentativa árdua de ultrapassar o fosso cultural que existe entre o mundo religioso e a ciência evolutiva. No entanto, um olhar mais atento à sua interpretação condescendente da religião levanta sérias questões relativamente ao valor do seu contributo.
O problema é que Gould nunca atribui à religião ou teologia qualquer tipo de conhecimento válido. A ciência, escreve ele na Time, é “uma pesquisa acerca do estado factual do mundo natural”. A religião, por outro lado, é uma “procura do sentido espiritual e dos valores éticos”. Ele não pondera a possibilidade da religião poder colocar-nos em contacto com a realidade transcendente, ou sequer revelar algo minimamente semelhante à verdade. A religião pode, no melhor dos casos, dar apenas um sentido moral à realidade.
Talvez esta posição seja já um progresso. A grande questão que se levanta é: pode-se afirmar que o Universo tem um sentido com a novidade trazida por Darwin? Gould rejeita essa possibilidade. Ele afirma que o difícil na “mensagem filosófica” de Darwin é que a vida não tem uma direcção predefinida, não existe um sentido no Universo e a matéria é a única coisa que existe. De acordo com Gould esta mensagem não pode ser dissociada da ciência de Darwin.
Afinal, por detrás da abertura de Gould, tal como para Dawkins e Dennett, só o materialismo e uma filosofia do absurdo servem de contexto à ciência evolutiva. Um mundo por si só sem sentido permite-nos enquanto humanos atribuir-lhe o sentido que quisermos e assim realizar o nosso potencial criativo. Se esta mensagem é inevitável a partir da teoria da evolução de Darwin então, de facto, nenhuma teologia poderá alguma vez viver em paz com a evolução.
Afinal, em que é que ficamos? A decisão do Estado do Kansas, a reluctância geral do pensamento religioso em enfrentar Darwin, e o evolucionismo materialista suportado pelos meios académicos mostram que interpretações teológicas não-criacionistas são desconhecidas tanto na comunidade científica como no mundo religioso. A teologia precisa de prestar mais atenção à evolução. Ainda que o literalismo bíblico seja sempre um obstáculo, o nosso pensamento religioso e a nossa educação deveriam pelos menos começar a mostrar mais claramente de que forma a visão Darwinista da vida poderá ser o que se espera de um mundo criado por um Deus de Amor Infinito. A ciência da evolução tem continuado a evoluir. É agora altura de uma teologia pós-Darwin mais rigorosa e acessível a todos.
[1] adaptado de John Haught (1999) “The Darwin struggle – Catholics, pay attention”, Commonweal, September, 24th
John Haught
“Nunca Charles Darwin foi tão popular como hoje em dia (…) a sua teoria de selecção natural é incontestavelmente aceite como a explicação correcta para a diversidade da vida na Terra”. No entanto, grande parte do mundo religioso ainda se debate com Darwin. Em Agosto de 1999, por exemplo, o Painel Educativo do Kansas (Kansas Board of Education), submetendo-se a pressões de “Cristãos Criacionistas”, decidiu que o tópico da Evolução (tal como referências ao Big Bang) não deveria ser incluído nos exames estatais de avaliação dos conhecimentos científicos dos alunos. Lamentando essa decisão, o conhecido paleontólogo de Harvard, Stephen Jay Gould comentou na revista Time que a remoção da Evolução dos currículos de Biologia assemelha-se a ensinar química sem a Tabela Periódica, ou a história Americana sem mencionar Lincoln (presidente dos EUA durante a guerra civil americana). Tanto a decisão do Estado do Kansas como a afirmação de Gould servem de base para alguns comentários relativos à questão da Evolução e Religião.
Para um grande número de Cristãos Americanos (mais de 40%), a visão de Darwin acerca da natureza ainda parece ser irreconciliável com as suas crenças mais profundas. Mesmo para além do desafio óbvio que a ciência evolutiva coloca à visão literal da Bíblia, não é muito difícil de perceber porquê. Antes de mais, porque as variantes que constituem a matéria prima para a evolução são consideradas completamente acidentais e não o resultado de uma inteligência divina. Depois, a “luta” competitiva pela qual os organismos mais fracos são rudemente eliminados revela um universo aparentemente sem a presença de compaixão divina. E a indiferença apresentada pela selecção natural sugere que vivemos num universo sem remorsos nem afecto, que dificilmente retrata o colo carinhoso de uma divindade providente. Se a isto tudo adicionarmos a ideia de que a vida e a mente surgiram de matéria irracional, sem grandes descontinuidades ao durante um período de milhares de milhões de anos, obteremos uma visão do universo completamente diferente da que é afirmada pelas nossas religiões tradicionais.
Como resultado de um contacto contínuo com as suas próprias descobertas, Darwin chegou a confessar que a descrença “apoderou-se” gradualmente dele próprio. E para muitos neo-darwinistas essa “descrença” parece ser uma implicação lógica da sua ciência. Nas palavras de David Hull, o processo evolutivo está cheio de “acasos, contingências, desperdícios, morte, dor e horror”. Um deus que crie ou que tome conta de um mundo Darwiniano tem de ser “descuidado, indiferente, quase diabólico”. Isto não é, diz Hull, “o tipo de Deus a quem qualquer pessoa rezaria”.
Na falta de uma teologia da evolução convincente, não só o estado biblicista do Kansas, mas também o mundo do pensamento religioso em geral tem tido dificuldade em lidar com Darwin. Ainda que a maioria dos teólogos não-criacionistas reconheçam o papel da evolução, e o próprio Papa tenha reconhecido a sua probabilidade, aqueles que assumiram a ciência de Darwin em profundidade são, parece-me, relativamente poucos. Mesmo fora dos círculos do fundamentalismo protestante, a antipatia em relação a Darwin parece estar a ganhar vigor em alguns meios religiosos. O jornal First Things é frequentemente palco de comentários anti-Darwinistas. Um editorial recente do Homiletic and Pastoral Review designou a ciência de Darwin como “um conto de fadas para adultos”. E o bioquímico católico Michael Behe conseguiu uma grande popularidade entre religiosos conservadores ao propor o “Intelligent design” como uma refutação científica do trabalho de Darwin.
Entretanto, mesmo os teólogos cristãos que são moderados e liberais evitam geralmente uma discussão profunda da evolução Darwiniana. Muitos condescenderão que “a evolução é a forma de Deus criar”, mas até o compromisso com esta afirmação requer que se excluam as características mais repelentes da visão perturbadora de Darwin acerca da vida. Grande parte da teologia contemporânea ainda não reconhece o óbvio: Darwin alterou completamente a forma de encarar Deus, até de acreditar em Deus.
No entanto, não só a reflexão teológica mas também a maioria do mundo intelectual ficou aquém de Darwin. Tal como nos relembrava o filósofo judeu Hans Jonas, a filosofia mantém-se cravada num materialismo completamente inadequado face à opulência da Evolução. Além do mais, convém referir que os materialistas evolutivos “iluminados” não são menos literalistas na interpretação da Bíblia do que a maioria dos membros do Painel Educativo do Kansas. Por exemplo, o filósofo Daniel Dennett, que já foi considerado como: “o nosso melhor filósofo actual”, declarou arrojadamente o seu apoio aos criacionistas, quando afirmam que a grande ideia de Darwin é incompatível com a Bíblia. “ A Ciência ganhou e a Religião perdeu” anuncia Dennett. “As ideias de Darwin afastaram o Livro do Genésis para o âmbito da mitologia retrógrada”.
De igual forma, o biólogo de Harvard E.O. Wilson expressa o seu espanto relativamente a que alguém procure reconciliar a Bíblia com a biologia. Tal como os criacionistas do Kansas ele coloca a ciência de Darwin em competição com o Génesis, que considera um trabalho que o desilude por não conseguir fornecer informação relevante acerca do mundo natural. Segundo Wilson, certamente que se as Escrituras fossem verdadeiras, elas não nos forneceriam uma visão tão incorrecta da natureza. O facto de não considerarem a evolução, “os autores bíblicos esqueceram-se da revelação mais importante de todas!”. Ainda que Dennett e Wilson possam diferir dos criacionistas ao declararem Darwin certo e a Bíblia errada, eles estão igualmente desfasados no tempo ao esperarem que esses textos antigos reflictam alguma ciência fidedigna.
Porém recentemente, um dos evolucionistas americanos mais conhecidos, Stephen Jay Gould, tem procurado fortemente distanciar-se daqueles neo-Darwinistas que são declaradamente ateus. Afirmando-se como agnóstico, Gould parece ter despertado para o facto de que, numa cultura que acredita em Deus, a educação científica dificilmente beneficia de uma ligação inevitável entre o trabalho de Darwin e a morte de Deus, tal como Dennet e o conhecido zoólogo Richard Dawkins fazem crer existir. Dennet e Dawkins gostam claramente de anunciar o ateísmo que eles afirmam estar subjacente à revolução de Darwin, enquanto que Gould considera esses argumentos usados e sem sentido.
No seu comentário na revista Time, Gould volta a insistir que não pode existir nenhum conflito entre fé e evolução. A ciência e a religião, afirma, referem-se a assuntos completamente díspares. Deveriam ser “parceiros iguais e mutuamente respeitadores, cada qual mestre do seu domínio, e sendo cada domínio essencial para a vida humana de formas diferentes”.
Deve dar-se crédito a Gould pela sua tentativa árdua de ultrapassar o fosso cultural que existe entre o mundo religioso e a ciência evolutiva. No entanto, um olhar mais atento à sua interpretação condescendente da religião levanta sérias questões relativamente ao valor do seu contributo.
O problema é que Gould nunca atribui à religião ou teologia qualquer tipo de conhecimento válido. A ciência, escreve ele na Time, é “uma pesquisa acerca do estado factual do mundo natural”. A religião, por outro lado, é uma “procura do sentido espiritual e dos valores éticos”. Ele não pondera a possibilidade da religião poder colocar-nos em contacto com a realidade transcendente, ou sequer revelar algo minimamente semelhante à verdade. A religião pode, no melhor dos casos, dar apenas um sentido moral à realidade.
Talvez esta posição seja já um progresso. A grande questão que se levanta é: pode-se afirmar que o Universo tem um sentido com a novidade trazida por Darwin? Gould rejeita essa possibilidade. Ele afirma que o difícil na “mensagem filosófica” de Darwin é que a vida não tem uma direcção predefinida, não existe um sentido no Universo e a matéria é a única coisa que existe. De acordo com Gould esta mensagem não pode ser dissociada da ciência de Darwin.
Afinal, por detrás da abertura de Gould, tal como para Dawkins e Dennett, só o materialismo e uma filosofia do absurdo servem de contexto à ciência evolutiva. Um mundo por si só sem sentido permite-nos enquanto humanos atribuir-lhe o sentido que quisermos e assim realizar o nosso potencial criativo. Se esta mensagem é inevitável a partir da teoria da evolução de Darwin então, de facto, nenhuma teologia poderá alguma vez viver em paz com a evolução.
Afinal, em que é que ficamos? A decisão do Estado do Kansas, a reluctância geral do pensamento religioso em enfrentar Darwin, e o evolucionismo materialista suportado pelos meios académicos mostram que interpretações teológicas não-criacionistas são desconhecidas tanto na comunidade científica como no mundo religioso. A teologia precisa de prestar mais atenção à evolução. Ainda que o literalismo bíblico seja sempre um obstáculo, o nosso pensamento religioso e a nossa educação deveriam pelos menos começar a mostrar mais claramente de que forma a visão Darwinista da vida poderá ser o que se espera de um mundo criado por um Deus de Amor Infinito. A ciência da evolução tem continuado a evoluir. É agora altura de uma teologia pós-Darwin mais rigorosa e acessível a todos.
[1] adaptado de John Haught (1999) “The Darwin struggle – Catholics, pay attention”, Commonweal, September, 24th