segunda-feira, 16 de março de 2009

Textos para preparar colóquio


Aqui vai o segundo texto.


Agostinho Botelho


Texto I

Podemos acreditar em Deus e na Evolução? [1]
Ted Peters e Martinez Hewlett


Portanto, se estivermos correctos e visto a ciência ser, simplesmente, um método para descrever uma visão quantitativa do mundo que resulta em modelos testáveis, como é que todos se envolveram nesta confusão acerca da evolução? Qual é o problema?

Confundir Ciência e Filosofia
Muitas vezes falamos com cientistas e perguntamos acerca das suas posições filosóficas. Uma resposta muito comum é “Eu não tenho uma filosofia.” É claro que chamamos a atenção que não ter uma filosofia é, de facto, uma filosofia!
Mas, indo ao ponto essencial, a empresa científica possui, de facto, uma base filosófica, um conjunto de pressupostos e valores que sustentam o trabalho que é feito. Num capítulo anterior tentámos delinear o método da ciência. Este método pressupõe várias coisas: (a) existe ordem na natureza, (b) podemos, de facto, observar essa ordem, e (c) podem ser deduzidos modelos que providenciam explicações naturalistas para os fenómenos ordenados que se observam. Em tudo isto, o método científico preocupa-se exclusivamente com o mundo físico, isto é, com “tudo o que não é mente/espírito” (Descartes). Não há nada nesta decisão filosófica que impossibilita ou exclua a existência do não-físico ou do sobrenatural. Esta decisão provém de decisões anteriores, tomadas por cientistas sobre como proceder, qual o seu método ou abordagem.
A ciência moderna fez outra escolha metodológica. É mais fácil projectar experiências se nos focarmos em elementos do fenómeno, em vez de nos focarmos na complexidade do todo. Por exemplo, se quiseres compreender a célula num sapo, é relativamente fácil tirar uma célula e estudar os elementos que a constituem. O Marty [co-autor deste livro] é bioquímico e o seu treino em ciência foi sempre sobre os métodos para fazer isto e os tipos de modelos que podemos construir com os dados observados. Os filósofos chamam ao processo de aplicação de um método para estudar a célula, isolando as partes que a compõem, reducionismo metodológico. Neste caso, a ideia principal é que a ciência, de forma a ter um conhecimento maior da complexidade do todo, junta os blocos construtivos mais básicos que compõem esse todo. Por outras palavras, para compreender o todo, temos primeiro de entender as partes.
Agora, supõe que és um cientista a trabalhar nos elementos da célula. Tens modelos que explicam o comportamento das proteínas numa célula e até a sua genética em termos do ADN que se encontra no seu núcleo. De facto, a estrutura moderna da biologia está construída neste tipo de conhecimento sobre a função de tudo o que vive. Podes pôr-te a pensar, “ei, esta é uma informação muito poderosa. Olha para o que eu consigo fazer com estes modelos em termos da geração de experiências. Sabes, talvez a forma mais válida de compreender uma célula seja em termos das partes que a constituem.”
Se fizeres desta afirmação uma parte da tua forma de pensar acerca dos sistemas vivos, fizeste uma escolha filosófica, não científica. O que fizeste foi tomar uma decisão sobre qual o tipo de conhecimento válido naquilo que diz respeito à célula e a toda a vida. Em filosofia, o estudo dos sistemas de conhecimento chama-se epistemologia. Escolheste ser um reducionista epistemológico. Repara que esta não é uma conclusão científica; não se pode provar ser falsa. Nada tem a ver com a observação, ou método, ou mesmo construção de uma teoria e de um modelo. Tem a ver com uma reacção filosófica aos processos e resultados da ciência.
Supõe que o teu trabalho com os elementos da célula te conduz à compreensão da sua química e até da sua física. É claro que isto era o que tinhas pensado atingir como objectivo. Mas isso deu-se há muito tempo e já não pensavas nisso. É fácil ver como podes ficar convencido de que os elementos da célula e os átomos que a consituem são realmente tudo o que diz respeito a tudo o que vive. Podes começar a pensar que a matéria do universo é, de facto, tudo o que existe; não há nada para além disso.
Em filosofia, o estudo da essência ou ser das coisas chama-se ontologia. Por isso, até aqui tomaste a decisão filosófica de ser um reducionista ontológico. De novo, esta não é uma conclusão científica. Recorda-te do nosso acordo – a ciência deve-se pronunciar sobre o mundo físico. Logo, concluir que o físico é tudo o que existe é um erro lógico grande – é um argumento circular. Isto é, decidiste olhar apenas para o que é físico e depois concluíste que isso é tudo o que existe.
No processo de tomar estas decisões filosóficas, é possível que tenhas começado a olhar para o conceito de Deus como supérfluo. De facto, uma vez que estás convencido que nada existe excepto o que é material, o próximo passo é concluir que Deus não existe. A esta conclusão chamamos de ateísmo. E porque aceitas apenas o que é material como real, tornaste-te num materialista ateu.


Será necessário ser um materialista ateu para se ser cientista?

A resposta simples é “claro que não!” No fim de contas, o Marty é um cientista e não é um materialista ateu. Poderíamos apostar que a maior parte dos cientistas, se lhes perguntássemos, não se identificariam com esta filosofia. Bom, é verdade que as sondagens mostram uma percentagem mais elevada de agnósticos e ateus entre os cientistas, do que dentro da população não-científica. Mas esta estatística é também verdade para o mundo académico em geral.
A verdadeira questão que nos é dirigida é a seguinte, qual o passo no método científico que requer do cientista a declaração que Deus não existe? Se fores ao capítulo anterior, irás ver que o nosso método nada tem a ver com isto. Nós observámos, colocámos hipóteses, experimentámos, revimos, teorizámos. Tudo isto é feito para ter um modelo do mundo natural que possua poder explicativo e previsivo. Nada nesta metodologia requer qualquer tipo de compromisso religioso, nem pró- ou anti-Deus.
De facto, tudo o que é necessário para se ser cientista é uma curiosidade acerca do mundo natural e uma atracção pelo método científico como forma de compreender o mundo. O cientista, como qualquer pessoa, pode reagir às suas experiências de vida e, como resultado, ter uma determinada posição religiosa e filosófica. Alguns cientistas poderão olhar para os seus modelos da natureza e concluir que não existe Deus. Outros, olhando para os mesmos modelos, ficam espantados pela maravilha e beleza da criação de Deus.


Materialistas ateus e a batalha pelos nossos corações e mentes

Nalguns escritos e afirmações públicas daqueles que se posicionam como materialistas ontológicos ou ateus, tornou-se óbvio quererem que todos entrem no mesmo comboio. Do seu ponto de vista, se ao menos a sociedade se voltasse para uma filosofia ateísta, tudo seria resolvido.
Com este fim, escrevem dramaticamente que existe apenas uma forma de conhecer qualquer coisa real sobre o universo e apenas uma só forma válida de pensar sobre as coisas. Alguns exemplos.
Primeiro, existe o falecido Francis Crick, co-autor com James Watson do modelo do ADN, icone marcante da biologia moderna, que escreveu: “O objectivo último do movimento moderno em biologia é, de facto, explicar toda a biologia em termos da física e da química. (...) Eventualmente, pode-se esperar ter toda a biologia ‘explicada’ em termos do nível abaixo dela, e assim por diante até ao nível atómico.”
Depois existe Richard Dawkins, o cientista e divulgador da ciência em biologia evolucionária, que diz: “O universo que observamos tem precisamente as propriedades que deveríamos esperar se não existisse, no fundo, qualquer design, propósito, mal ou bem, nada senão uma cega e impiedosa indiferença.”
A seguir temos o filósofo da Universidade de Tufts, Daniel Dennet, que afirma: “a sabedoria prevalecente, expressa de várias formas e pela qual se argumenta, é o materialismo: existe apenas uma espécie de material, nomeadamente matéria, o material físico da física, química, e fisiologia, e a mente é um fenómeno físico.”
Existem até aqueles, como o biólogo de Harvard Richard Lewontin, que descaradamente admitem que este é um ponto de vista especificamente escolhido: “temos um compromisso à partida, um compromisso ao materialismo. ... O materialismo é absoluto, pois não podemos permitir um pé divino na porta.”
Curiosamente, os materialistas ateus, que se vêem como defensores baluartes da ciência estabelecida contra os assaltos daquilo que consideram o supersticioso fervor religioso, são capazes de um agrupamento humorístico de armamento retórico. Daniel Dennet dispara uma salva aos Cristãos conservadores que imita aquilo que percepciona estar a ser disparado para o seu lado. O direito religioso tem “dominado a arte da refutação por caricatura, e produz ataques súbitos a cada oportunidade de substituir, cautelosamente, articulações expressas pelos factos evolucionários, com simplificações demasiado sensacionalistas, com as quais buzinam e alertam o mundo.” Agora, perguntamos, quem está a dizer que a chaleira é preta? Certamente que estamos contentes de ler que no coração da batalha retórica, Dennet evita a “caricatura” e “simplificar demais.”


Será a ciência incompatível com o ponto de vista religioso?

Daniel Dennet está ocupado em alimentar os fogos de descontentamento entre ciência e religião. Para nós, não se entende porquê. Nós estamos a ser muito específicos em querer ver a ciência como não tendo o compromisso do materialismo que afirmam Dennet, Crick ou Lewontin. Em vez disso, nós insistimos que a ciência é uma viagem humana maravilhosa que explora o mundo natural e contrói os modelos explicativos que enriquecem a nossa compreensão do mundo. Não vemos qualquer necessidade de que isto esteja, de maneira alguma, em oposição à nossa fé em Deus. Pelo contrário, vemos a empresa científica como algo que deve inflamar o nosso desejo de conhecer Deus com maior profundidade.
No seu livro “A êxtase[2] de Deus”, Beatrice Bruteau escreve porque um Cristão contemplativo precisa de compreender a ciência. Ela diz: “a conclusão para a pessoa religiosa deve ser que o mundo é o trabalho de Deus mais pessoal, por isso, algo para nós conhecermos, admirarmos e reverenciarmos, tomarmos parte nele, contribuir em criar – uma vez que é feito como um universo que se auto-cria.”
Bruteau expressa deslumbramento acerca do mundo natural tal como é revelado pela ciência. Ela não vê qualquer incompatibilidade entre a sua fé Cristã e esse mundo. De facto, ela exige que os Cristãos devem interessar-se pelo mundo tal como a ciência o vê, porque é esse mundo pelo qual Deus se interessa.
Em particular, com referência ao modelo da biologia evolucionária, o teólogo de Georgetown John Haught escreve sobre “o dom de Darwin à teologia.” Ele argumenta que “o conteúdo central e original da fé Cristã providencia-nos uma imagem de Deus que não é só logicamente consistente com a imagem Darwiniana da vida, mas também fecundamente iluminativa.”
Esta é uma afirmação forte – Deus consistente com a imagem Darwiniana da vida? Como pode ser isto?
Haught desenvolve as suas ideias no enquadramento da sua fé Cristã Católica Romana. Ele diz-nos que esta criação é o resultado do infinito amor de Deus. O facto de estarmos ainda num processo de “dever ser” (becoming), ainda em criação, é um ponto central para compreender como a evolução se ajusta com a visão Cristã do mundo. Haught argumenta ainda que o amor de Deus vai tão longe que permitiu o Seu Filho tomar parte desta criação que ainda evolui. Deste modo, a incarnação e o sofrimento na cruz são vistos como cruciais à reconciliação entre a teologia e Darwin. Para Haught, aceitar a evolução com todas as suas implicações é essencial para a compreensão teológica do acto redentor de Cristo.
Por isso, a nossa curta resposta é sim; ciência e religião são compatíveis. Até mais do que isso, ciência e religião têm muito a dizer uma à outra.

[1] Capítulo 4, “Can you believe in God and Evolution?” (2006) de Ted Peters e Martinez Hewlett
[2] Êxtase entendida como movimento fora de si mesmo em direcção ao outro, não no sentido emotivo de experiência subjectiva de alienação de si mesmo. (N.d.T)

31 comentários:

  1. Esta é uma mensagem-teste.

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  2. - "“ei, esta é uma informação muito poderosa. Olha para o que eu consigo fazer com estes modelos em termos da geração de experiências. Sabes, talvez a forma mais válida de compreender uma célula seja em termos das partes que a constituem.”
    Se fizeres desta afirmação uma parte da tua forma de pensar acerca dos sistemas vivos, fizeste uma escolha filosófica, não científica."(Texto: Confundir Ciência e Filosofia" 4º e 5º parágrafo)

    Neste excerto, á uma afirmação que diz que estudar o todo pelas partes é uma escolha filosófica, a minha questão é, se estudar o todo pelas partes é um metodo de estudo, onde entra aqui a filosofia?

    -"Logo, concluir que o físico é tudo o que existe é um erro lógico grande – é um argumento circular."(7º parágrafo, do mesmo texto)

    Porque é que esta conclusão é um erro lógico grande ?

    -"Ele argumenta que “o conteúdo central e original da fé Cristã providencia-nos uma imagem de Deus que não é só logicamente consistente com a imagem Darwiniana da vida, mas também fecundamente iluminativa.”" ( Texto " Será a ciência incompatível com o ponto de vista religioso?" 4º e 5º parágrafo)

    Como é que a imagem darwiniana da vida pode ser consintente com a imagem de Deus?

    -"Deste modo, a incarnação e o sofrimento na cruz são vistos como cruciais à reconciliação entre a teologia e Darwin. Para Haught, aceitar a evolução com todas as suas implicações é essencial para a compreensão teológica do acto redentor de Cristo." (6º parágrafo, do mesmo texto)

    Porque é que para se aceitar a evolução e todas as suas implicações é essencial a compreensão teológica do acto redentor de Cristo? Os ateus não poderão nunca aceitar támbém essa teoria (da Evolução) ?


    Questões das alunas:

    Ana Carolina Damásio, nº2
    Teresa Castanho, nº25

    Da turma 6 do 10º Ano.

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  3. Podia explicar melhor o confronto entre as teorias da Igreja e as teorias de Darwin relativamente às espécies e a sua evolução?

    10º2 Joana mendes
    e Patrícia Perdigão

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  4. Pode explicar a teoria de Darwin?

    10º2 Joana Cardoso e Joana Cruz

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  5. Qual foi a razão que levou Darwin a partir numa viagem tão longa?

    10º2 Nuno martins

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  6. Acha que a religião influencia a decisão e a opinião dos cientistas?

    Darwin foi de alguma forma perseguido, devido às suas descobertas (teorias), durante o estudo que realiou acerca da Evolução?

    10º2 Bruno pruxa

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  7. A própria ciência é uma filosofia da vida?

    A diferença entre a pessoa que acredita em Deus e outro que não acredita, é apenas uma questão material? a pessoa que não acredita no imaginável?


    Como é que a ciência pode tentar estudar Deus com mais profundidade, se este não tem um ponto de partida, ou seja,não é um ser humano?

    10º2 Ana Sofia, Ana Lúcia, Daniel, David

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  8. No 2º parágrafo, o autor fala da empresa científica que tem como sustento bases filosóficas, conjunto de pressupostos e valores. Será que o trabalho feito é unicamente apoiado por estas três hipóteses?

    No 5º parágrafo, o autor fala de escolhas; filosófica e científica. Qual a diferença entre as duas escolhas?

    O autor diz que podemos começar a pensar que a matéria do universo é tudo o que existe. Será mesmo verdade? Não existirá nada mais além disso?


    No 7º parágrafo, o autor diz que a ciência deve pronunciar-se exclusivamente sobre o mundo físico, mas também diz que é um grande erro lógico. Não deveria pornunciar-se sobre algo mmais?

    Rafaela Martins 10º6
    João Ricardo, 10º6

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  9. Basicamente, em que difere o creacionismo do evolucionismo?

    João, 10º6

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  10. Porque é que passados 150 anos, o creacionismo ainda não foi colocado de parte?

    Rafaela, 10º6

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  11. 11º2
    David Bernardes nº8
    João Mak nº16

    -Será melhor cientista um materialista ateu?

    -Será que criámos Deus apenas para responder a factos aparentemente inexplicáveis pela ciência?

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  12. Existem muitas pessoas que dizem que não existem oposições à religião e à ciência? Como reagem às contradições expostas nestas duas áreas em relação à teoria da evolução?

    10º1

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  13. Para construir ciência teremos de ter apenas em consideração aquilo que podemos tocar, ver e ter como prova da sua existência e não considerarmos aspectos religiosos?

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  14. Qual é a posição de Darwin em relação à religião e à ciência?

    10º1

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  15. Se acreditarmos na teoria da evolução, isso significa que Deus não existe?

    Porque havemos de acreditar em Deus, com base na ciência?

    10º1

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  16. O evolucionismo impossibilita a existência de Deus?

    Hoje estamos muito familiarizados com o conceito de evolução, mas no tempo de Darwin não se aceitava tal coisa. Como é que Darwin foi capaz de perceber que existia evolução?

    Será que o evolucionismo está correcto? Não pode existir outra opçã para explicar a criação, evolução, enfim dos seres vivos?

    Há espécies que não mudaram desde a antiguidade. Como é que o evolucionismo se enquadra nesta situação?

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  17. Deus está relacionado com a evolução? A evolução está relacionada com Deus?

    Será que os animais serão diferentes no futuro?

    10º1

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  18. Será posível comparar a religião com a ciência?

    10º1

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  19. Se o criacismo existe há mais de 150 anos porqur é que se continua a creditar nesta teoria?

    A própria ciência é uma filosofia de vida

    10º1?

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  20. Qual a teoria que se aproxima mais à realidade? Evolução ou criacionismo?

    Qual a influência da Filosofia nas duas teorias?

    10º1

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  21. Se existe Deus, porque existe o mal?

    Será que as crenças interferem nas investigações científicas?

    10º1

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  22. Em que é que Darwin se baseou para propor que os ratos podiam ser criados pelo Homem?

    Qual a posição de Darwin à cerca da relação existente entre a religião e ciência?

    10º1

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  23. Que diferenças/semelhanças entre evolução e religião?

    Será que podemos misturar ciência com a religião?

    10º1

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  24. Porque é que a religião se debatia com Darwin?

    Como é que as espécies de animais se têm vindo a alterar desde a descoberta de Darwin?

    10º1

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  25. É possível acreditar que todos os seres vivos surgiram do mesmo ser?

    O criacionismo é compatível com o evolucionismo?

    10º 1

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  26. Será possível estabelecer uma ligação temporal entre os dados evolucionistas e criacionistas?

    É necessário ser ateu para se ser ciência?

    10º 1

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  27. Quem é Deus?

    Porque haveremos de acreditar em Deus se ele ainda não me deu razões para creditar nele?

    João Henriques,nº 15 e Sara Simões, nº 24

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  28. Porque é que apenas uma forma de conhecer qualquer coisa real sobre o universo?

    10º1

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  29. Quais os exemplos de que existe apenas uma forma de conhecer qualquer coisa real sobre o universo e apenas uma só forma válida de pensar sobre as coisas?

    Vanessa Pereira, nº 28 e Joel Alexandre, nº 16

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  30. Será que na realidade Deus é consistente com a imagem Darwinista da vida? Como?


    11º1
    Jairo, Daniel Teixeira e Flávio Costa

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  31. Caros alunos do primeiro colóquio,

    em primeiro lugar agradeço muito a vossa participação e questões, que revelam uma maturidade acima da expectativa. Quinta-feira teremos o segundo colóquio e pela amostra do primeiro ... promete :)

    Recordo uma questão que foi colocada pelo vosso colega Flávio e que o Prof. Jacinto Farias respondeu muito bem: Quem criou Deus?

    Responde o Prof. Jacinto que essa é uma história antiga e que desde sempre o homem criou deuses, ídolos. Foi Deus que criou o homem, ou o homem que criou Deus?

    A questão foi posta, mais recentemente, por Richard Dawkins sob o argumento da improbabilidade:

    Todo o argumento volta-se para a questão familiar "quem fez Deus?", que a maior parte das pessoas que pensam descobrem por si mesmas. Um Deus designer não pode ser usado para explicar a complexidade organizada porque qualquer Deus capaz de projectar qualquer coisa teria de ser suficientemente complexo que exigisse o mesmo tipo de explicação. Deus apresenta-se uma regressão infinita a partir da qual ele não nos pode ajudar a escapar. Este argumento (...) demonstra que Deus, apesar de não desaprovável tecnicamente, é, de facto, muito improvável.Ponto essencial: o Deus que Dawkins pretende desacreditar é um Deus-designer. Óptimo! Porque nesse deus também os Cristãos não acreditam! Há 40 anos, o então Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, dizia que não se deve pensar Deus como um artífice, mas como o seu pensar é criativo.

    Então, em que Deus acreditam os Cristãos? Como sublinha Bento XVI na sua primeira encíclica, num "Deus que é amor".

    Como se aplica o argumento da improbabilidade que leva Dawkins, e outros como ele, a afirmar que «é quase certo que Deus não existe», a um Deus que é amor? Como provar a Sua inexistência? Será a ausência de evidência, evidência de ausência?

    Qualquer diálogo entre cientistas e teólogos não ocorre ao nível de um discurso científico, ou religioso, mas filosófico, como tão bem frisou o Prof. Jacinto. Diz Wolfhart Pannenberg, um dos teólogos com contributo mais importante na interacção entre ciência e religião que os «cientistas ao falarem sobre o significado geral das suas equações e teorias, fazem-no já com algum nível de reflexão filosófica. Digo, "algum nível", porque o seu falar nem sempre mostra o mesmo grau de reflexão filosófica intruída. A sofisticação filosófica pode ser muito pobre».

    É esta a critica generalizada de muitos filósofos por todo o mundo a pessoas como Dawkins, expressa por Jorge Coutinho como: «Dawkins navega em águas de outra circunscrição que não é própria do cientista, por mais que alimente a pretensão de o fazer como cientista». E até poderia fazê-lo! Mas pelo facto que o fazer mal, filosoficamente, comete o erro para o qual alerta Pannenberg e que leva muitos a perceberem, tal como Coutinho que, «Dawkins [e outros como ele] desqualifica-se a si mesmo como pensador».

    Neste sentido, a minha sugestão é sejam críticos relativamente aos que promovem o conflito entre ciência e religião. Questionem as suas motivações filosóficas. Pensem em como as sustentam. Confrontem-se uns com os outros sobre as suas conclusões. Procurem críticas às suas argumentações para formarem a vossa opinião. E, sobretudo, contem connosco para trilhar este caminho que se prevê ser cada vez mais conhecido e partilhado por todos.

    Saudações e até quinta,
    Miguel Panão

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